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José Bernardo
Bernardo é carioca, formado em Geografia e exímio trilheiro da Ilha Grande.
O autor do Livro Caminhos e Trilhas da Ilha Grande e ex-membro da UNICERJ (União de Caminhantes e Escaladores do Rio de Janeiro), escreveu com prazer um pouco mais sobre este profissional e amigo João Pontes.
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A função de guia de turismo, escreve Bernardo, não é uma tarefa tão simples e prazerosa quanto nos parece à primeira vista. Vai muito além do simples acompanhamento de um grupo de pessoas: é dele a principal responsabilidade pelo sucesso da excursão. Antes mesmo dos primeiros passos, ele já tem noção dos eventuais problemas que poderão surgir e o que fazer para encontrar a solução imediata para resolvê-los da melhor forma possível.
O guia é a alma da caminhada, continua Bernardo, é ele quem nos arranca os Uáus!!! É nele que depositamos a confiança de estarmos no bom caminho e que a recompensa não terá preço. Na Ilha Grande, muitos são os guias que conhecem suas trilhas, mas são poucos os que conseguem fazer com que elas proporcionem uma verdadeira aventura, um mergulho na sua impressionante história, uma odisséia capaz de levar o caminhante ao delírio ante aos cenários que só quem conhece seus segredos é capaz de revelar.
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Nesta homenagem aos cicerones da Ilha Grande, destaco um que descobriu sua vocação de guia caminhando pelos caminhos e trilhas da Ilha ainda no tempo em que ela abrigava o presídio. Me refiro ao Guia de Turismo João Pontes, um experiente caminhante não só da Ilha Grande, mas de tantas outras maravilhas e lugares fantásticos que compõem o cenário do Rio de Janeiro.
Trilheiro compulsivo vivia levando os amigos aos lugares novos que descobria e a cada horizonte alcançado novos surgiam e nesses desdobramentos, acabou por conduzir grupos como guia de honra no "Clube de Caminhantes Amigos da Zona Oeste". O reconhecimento e os elogios, era a flecha na encruzilhada apontando-lhe o destino. Empolgado, ele decidiu se especializar e desta forma, além do prazer de caminhar, também a recompensa pelo profissionalismo e a consagração de um sonho.
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Competência, responsabilidade, sobriedade, criatividade, companheirismo, ética profissional, disciplina, iniciativa, simpatia, liderança, além de tantas outras qualidades e virtudes, que acabam por fazer do João um especialista em trilhas e um zeloso e confiável companheiro de caminhada.
Sempre presente ao nosso lado quando precisamos de uma mão ou mesmo o seu cajado para nos ajudar a superar os obstáculos ou certas dificuldades de percurso.
Sabe o caminho das pedras enquanto à nossa volta é só mata, penhasco, pântano e incertezas. Com simplicidade e sutileza, nos permite descobertas surpreendentes, as quais ele está cansado de saber da existência.
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Conhecedor de todas as trilhas e atalhos, nos polpa de entrarmos por caminhos que não vão a lugar algum ao mesmo tempo em que nos descreve o que iremos encontrar depois do emaranhado de cipós e samambaias espinhentas. É assim que ficamos sabendo das piscinas naturais escondidas; das cachoeiras que despencam no mar depois de formar poços nas pedras onde deslizam; das fontes de água mineral; dos buracos sem fim; mirantes estonteantes, entre tantas outras curiosidades, que só quem palmilhou a Ilha incontáveis vezes é capaz de nos revelar.
Depois de horas subindo e descendo serras, chegar exaurido numa praia deserta com um riacho serpenteando a areia, o céu ficando dourado e os vaga-lumes começando a sua ronda é de deixar qualquer um hipnotizado ante ao deslumbramento a tão soberbo espetáculo da natureza.
O rio nos lava até a alma e revigorados do cansaço, sob um céu coalhado de galáxias, à beira de uma praia constelada de estrelas do mar, nada é mais gratificante do que vermos nosso guia chorando. Não de tristeza por que algum desleixado ou desinformado deixou uma embalagem vazia poluindo o ambiente, mas sim devido às cebolas, que depois de fritas em meio às fatias de lingüiça calabresa e misturadas ao arroz, se transformam num jantar dos deuses para deleite dos famintos e fatigados iniciados.
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Caminhar com um mestre, conclui Bernardo, é compartilhar de sua filosofia. É aprender a respeitar a natureza e compreender que uma minúscula flor que desabrocha entre a rachadura de uma pedra, despertada por um tênue raio de sol que conseguiu penetrar o manto das folhas, é um milagre único que poucos têm o privilégio de presenciar.
Parabéns João, por proporcionar a tantos turistas do Brasil e do mundo, caminhadas tão espetaculares e repletas de aventuras e eventos como as que você sabe nos envolver de corpo e a alma.
José Bernardo.
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