Foi um altar a 985 metros acima do nível do mar que, com 11% dos votos, conquistou o terceiro lugar entre as 7 Maravilhas da Ilha Grande.
O imponente Pico do Papagaio, anfitrião da Vila do Abraão e cartão postal da Ilha Grande, é um espetáculo no ar, na terra e no mar.
De onde quer que estejamos ele quase sempre é visível e, de formas tão diferentes, que algumas vezes duvidamos se é ele mesmo que estamos avistando.
Situado na parte leste do Parque Estadual da Ilha Grande, a 985 metros de altura – poucos metros abaixo do ponto culminante: o Pico da Pedra D’água com 1035 metros, ele desponta sobre as nuvens nos permitindo enxergar boa parte da rendilhada costa da Ilha.
De seu cume podemos avistar a Pedra da Gávea no Rio de Janeiro, o Dedo de Deus na Serra dos Órgãos, o Pico do Frade em Mambucaba, a Pedra da Mesa na Serra do Cairuçu em Paraty e toda a extensão da Restinga da Marambaia, onde fica a maior praia do Rio de Janeiro: a Praia da Marambaia.
Entretanto, essa odisséia não é nada fácil para quem quer chegar ao Olimpo. A trilha é severa e certamente que em alguns momentos você pensará em desistir ao não ver chegar nunca o topo.
Os que conseguem vencer a tentação da força de gravidade em querer levá-los para baixo, acabam por serem recompensados com magníficas paisagens.
Nascentes de rios brotando aos turbilhões sob as pedras, riachos cristalinos e potáveis, mirantes estonteantes e deslumbrantes que vez por outra surgem numa janela da mata, além de uma fauna e flora riquíssima em espécies.
Diferente de quando visitamos um zoológico, o exercício de procurar animais no de seu habitat natural é uma atividade fascinante.
Você poderá caminhar por horas sem ver um animal se quer, apenas barulhos inidentificáveis que volta e meia nos assustam. Mas eles estão lá camuflados, enganando nossos olhos desacostumados com a paisagem. Quando menos se espera, damos de cara com um grupo de sagüis, de bugios, esquilos, lagarto dormindo sob um raio de sol que conseguiu penetrar a copa das árvores, teias de aranha, ou mesmo caminhando sobre um tapete de formigas “trinca-ferro”.
Nos dias em que a névoa toma conta da paisagem, a falsa pintura não se torna menos bela. Caminha-se no meio da neblina. É como um passeio no céu. Furando nuvens. No topo da montanha, com ou sem névoa, sentimos uma sensação inenarrável.
Sensação de que todo o resto é pouco perto da grandiosidade do mundo que se apresenta aos nossos pés, pertinho do céu.
Há estranhos e agradabilíssimos perfumes na atmosfera desse lugar. Passamos por uma experiência única, raríssima.
Com as pernas pedindo help, você visualiza uma gigantesca muralha de pedra a perder-se de vista para o alto. A trilha aproxima-se dela e se transforma num caminho de cascalho miúdo, passando entre blocos de pedra até que volta a subir íngreme e assim se manterá até chegar ao topo. Neste decorrer, surgem mirantes com paisagens de nos deixar sem fôlego. É maravilhoso, inigualável!!!
A fina camada de terra que cobre a imensa pedra permite brotar algumas plantas de beleza indescritível. Até árvores em forma de bonsais ajudam a formar uma espécie de jardim suspenso.
O caminho que o atravessa não dura muito. Acaba abruptamente num abismo de quase mil metros, coberto de matas e cercado de mar e praia por todos os lados. Ahhh!!!
Valeu a pena cada passo dado, cada litro de suor derramado sobre a montanha e as fotos maravilhosas que nos consagram no rol da fama dos verdadeiros aventureiros!!!
Ao retornarmos à base, extasiados e cansados, olhamos para cima e temos a sublime sensação de que fomos ao céu. Só nos resta mesmo nos benzermos e agradecer a Deus por tão sublime monumento.