Apesar de o nome lazareto soar mal aos ouvidos, eles eram construções bem estruturadas e que em alguns casos, até pareciam hotéis.
O Lazareto da Praia Preta, construído em 1886 para abrigar em quarentena os viajantes e imigrantes vindos de países assolados pelo cólera, era um verdadeiro colosso com pavimentos de 1ª, 2ª e 3ª classe, enfermarias, laboratórios, praia de areia monazítica, imensos jardins ladeados com palmeiras imperiais, rio e água pura da fonte que chegava aos reservatórios através do aqueduto a uma vazão de 1000 litros por hora.
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Acreditava-se que o isolamento das pessoas doentes podia evitar as epidemias que assolavam o mundo naquele final de Século XIX. Porém, um congresso de sanitaristas,
dentre os quais participou o Doutor Oswaldo Cruz, sugeriu a desativação dos lazaretos, já que estes não impediam a disseminação de doenças. Mesmo assim, o Lazareto passou por uma reforma em 1889, quando também foi construído o aqueduto.
O realizador da obra foi o engenheiro Henrique Alvares da Fonseca, auxiliar do engenheiro do Imperio Francisco de Paula Freitas, ambos responsáveis pela construção do Lazareto da Ilha Grande.
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Em 1893 ele foi transformado em presídio para receber os rebelados da Revolta Armada e assim funcionou até 1913 quando foi totalmente desativado.
Com a explosão da Revolução Constitucionalista em São Paulo em 1932, Getúlio Vargas reabre o Lazareto que volta a funcionar como presídio.
Neste período passaram por lá alguns imortais como o escritor Orígenes Lessa. Em um de seus livros, “Não Há de Ser Nada”, há um trecho comovente de suas recordações, no qual relata sua chegada à Ilha: “... Pelas quatro horas da tarde de 19 de agosto de 1932 o Campos, depois de cabriolar pela costa, fundeava na Enseada do Abraão, ponto final da viagem...”
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Em 1940, durante a II Guerra Mundial, os americanos precisaram ocupar estrategicamente o Arquipélago de Fernando de Noronha. Isso fez com que fossem transferidos os presos que estavam lá para o Presídio da Praia Preta.
Com a construção do Presídio de Dois Rios, os presos foram transferidos e o Lazareto, num ataque de fúria do então governador Carlos Lacerda, foi demolido com tiros de canhão, restando hoje apenas as ruínas da parte subterrânea.
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Atualmente restam apenas algumas colunas, envoltas por raízes de árvores, a base do edifício, com extenso muro de pedras de mão, as ruínas da antiga ponte transformadas em celas de presídio.
Da ambientação original restou a ala de palmeiras imperiais e a ponte sobre o pequeno córrego, que passa ao lado das ruínas.
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